dom. jul 21st, 2019

Lista de bons pagadores, que entra em vigor hoje, deve injetar R$ 102 bi em Minas

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A partir de hoje, todos os brasileiros maiores de 18 anos e empresas com CNPJ ativo que realizaram alguma transação financeira serão automaticamente incluídos no cadastro positivo de bons pagadores. A expectativa do governo federal com a medida é reduzir a inadim-plência, baixar os juros na tomada de crédito, além de ampliar a arrecadação dos Estados, aquecendo a economia. Em Minas Gerais, a nova lei deverá inserir 2 milhões de clientes no banco de bons pagadores e injetar cerca de R$ 102 bilhões na economia do Estado em um período entre sete e dez anos – no Brasil, o valor estimado é de R$ 1,1 trilhão –, segundo projeções da Associação Nacional de Bureaus de Crédito (ANBC). 

O cadastro positivo é um banco de dados gerenciado por empresas de análise de crédito, como Serasa, SPC e Boa Vista, que identifica os bons pagadores a partir de um cruzamento de informações, como quitações de contas de luz, internet, telefone e financiamentos. Todos os dados são compartilhados com empresas e bancos para realização de empréstimos e fixação de taxas de juros, por exemplo. Até então, a adesão ao cadastro positivo era baixa, segundo o governo federal, diante da necessidade da solicitação do consumidor para ser incluído no banco de dados. 

Por isso, a maior parte dos credores e empresas de análise de crédito tinha como base as informações do cadastro negativo — lista de mau pagadores — para avaliar condições de empréstimos, financiamentos e taxas de juros. Com a inclusão automática dos bons pagadores no cadastro positivo, a expectativa é a de que esse cenário mude.

A estimativa é a de que, em dez anos, 89,7% da população adulta esteja na lista do cadastro positivo. Isso porque os consumidores serão analisados em pontuações (scores) que variam de 0 a 1.000. Quanto maior o número, menor o risco de o consumidor ser um mau pagador. 

Segundo o presidente da ANBC, Elias Sfeir, a expectativa é a de que a pontuação das classes mais pobres (C, D e E) suba até 60%, a partir do cadastro positivo obrigatório. “Um dado importante é que o cadastro positivo vai fazer com que 25% dos consumidores do país que hoje são ‘desbancarizados’ tenham acesso aos serviços bancários, como empréstimos”, diz Sfeir.

Equilíbrio

Na avaliação do presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH), Marcelo de Souza e Silva, a expectativa é a de que os juros baixem em um período de até dois anos, com a união das informações entre cadastro positivo e cadastro negativo, equilibrando a avaliação dos consumidores aptos a receberem crédito. “Hoje, você tem basicamente as informações sobre dívidas do consumidor no cadastro negativo. O cadastro positivo vai equilibrar isso. Alguém que tem um débito pequeno de telefonia e, antes, não conseguia um empréstimo, mesmo pagando todas as outras contas em dia, agora será melhor avaliado em um ranking positivo”, avalia Silva.

Além disso, o comércio aguarda um aquecimento econômico da venda de bens duráveis e semiduráveis. “Os setores do comércio e de serviços podem se beneficiar direta e indiretamente com a redução de juros em duas situações. Primeiramente, para captação de empréstimos — destinados a financiar projetos, capital de giro etc. Além disso, essa medida deve estimular o consumo de bens duráveis e semiduráveis às famílias”, diz a presidente interina da Fecomércio MG, Maria Luiza Maia Oliveira.

Hoje, 40% da população adulta brasileira é inadimplente, segundo dados da Serasa. Em Minas, esse índice é de 36% e a projeção do governo federal é reduzir esse número em até 45%, a partir da inclusão de mais pessoas no cadastro positivo. Segundo o Banco Central, 39% dos custos dos empréstimos no país estão relacionados a casos de inadimplência.

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